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Sejamos simples!

Por Jean Sigel

Outro dia me peguei divagando sobre ser simples ou como alcançar a simplicidade. Comecei a fazer naquele momento um exercício de tudo que já havia lido, visto ou pensado a respeito. Talvez porque no fundo todos queremos atingir a simplicidade e não sabemos como. Somos complexos por natureza.

Ser simples é complexo demais. Simplicidade = complexidade. Os bons designers têm a habilidade de simplificar as coisas talvez como poucos têm. Pensei: Por que é tão árduo conquistarmos o simples? Descobri que a palavra simples origina-se do latim SIN – único / um e PLEX – dobra. Uma única dobra. Simples assim. Como quando escrevemos um pequeno verso ou um recado para alguém e o entregamos de forma singela em um papel branco com uma única dobra. É o simples que comove, e não exatamente a dobradura.

Na vida e no trabalho, fazemos justamente o contrário, complicamos demais e por vezes vendemos complexidade o tempo todo. A serenidade dá lugar à ansiedade, a contemplação dá lugar à alienação e a tranqüilidade dá lugar à obsessão pelo tempo. Males da sociedade atual as quais temos nos tornado escravos, e que nos afastam das coisas simples e belas da vida.

 

Fonte da Imagem: Paula Soares

Na vida e no trabalho, fazemos justamente o contrário, complicamos demais e por vezes vendemos complexidade o tempo todo. A serenidade dá lugar à ansiedade, a contemplação dá lugar à alienação e a tranqüilidade dá lugar à obsessão pelo tempo. Males da sociedade atual as quais temos nos tornado escravos, e que nos afastam das coisas simples e belas da vida.

Mas podemos tirar lições de grandes gênios, ou mesmo de pessoas comuns, que nos mostram a arte da simplicidade. De que ser simples não significa ser simplório. Ser simples é mostrar o óbvio com arte, originalidade e beleza. Já dizia Da Vinci – A simplicidade é a sofisticação máxima. O ápice da sabedoria. Alguém com tamanha diversidade de conhecimentos, ainda sim, sabia que tudo de mais genial residia na simplicidade.

O grande Hemingway, talvez o maior exemplo de como ser profundo com as palavras e ao mesmo tempo extremamente simples, dizia sempre que se deparava a uma obra de Cézanne: “Queria poder escrever como Cézanne pinta, nenhum traço a mais, nem a menos. Talvez a primeira lição esteja aí, humildade e reconhecimento. Como um velho pescador ao mar.

Cora Coralina fazia a poesia do simples como poucos poetas eruditos conseguiam fazer. Como são belos seus traços e intensas suas palavras. Tostão, enxerga e escreve sobre futebol com eloqüência, mas com uma simplicidade única e a clareza de um mineirinho comendo pelas beiradas. Sem vaidades, e muito menos a intenção de impressionar ninguém, mas impressionando sempre.

De qualquer maneira o fato é que depois de inventada, a invenção tornar-se óbvia e simples. E a obra tornar-se bela e única. Por que não pensei nisso antes? Porque talvez justamente aí está a grande magia da simplicidade. Ela acontece quando enxergamos a essência, onde todo o resto é carapaça. E como é difícil. Esse texto mesmo, escrevi há 5 anos e só hoje o estou publicando. E ainda acho que poderia ser bem mais simples.

Ser simples é uma arte para poucos, ainda que a simplicidade esteja em cada uma das almas humanas. Mas creio que a atingimos quando a experiência e a gastura de tanta complexidade nos exaure por completo. Continuarei tentando.

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