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A gestão do departamento jurídico de uma Startup quando vira Unicórnio

A gestão do departamento jurídico de uma Startup quando vira Unicórnio

O mundo globalizado, vive em constante transformação. Mudanças não só se mostram necessárias, como também são muito bem-vindas, contudo, nem sempre na velocidade como vêm se propagando de uns tempos para cá. Essas mudanças, embora essenciais, acontecem, muitas vezes, num “piscar de olhos” e requerem rápidas e planejadas adaptações.

Essas transformações permeiam não apenas a economia e a sociedade, mas principalmente, as empresas, e especialmente o seu modelo de administração dos negócios: não profissionalizada versus profissionalizada. Atingem de forma implacável, a maneira pela qual os administradores dirigem as startuos e seus respectivos departamentos corporativos, dentre eles o Departamento Jurídico, que atualmente carece de um foco mais estratégico do que operacional.

Num passado não muito remoto, tais mudanças, se aconteciam, eram gradativas e cadenciais. O processo de trabalho e os seus respectivos procedimentos tinham começo, meio e fim, e cada etapa era discutida.

Contudo, os tempos mudaram e rápido! Em plena era da tecnologia da informação, as mudanças são imperiosas e acontecem agora, em prazos muito mais curtos e são focadas em planejamento cuidadoso da ascensão da startup que atinge o patamar de unicórnio rumo ao profissionalismo administrativo.

Imperioso asseverar que este trabalho visa demonstrar a necessidade da mudança do modelo de gestão da startup e do seu respectivo Departamento Jurídico para um formato mais profissional, voltado à competitividade e à busca de resultados. O planejamento somado com práticas modernas de gestão, a startup pode se transformar num modelo de excelência a ser copiado mundo afora.

A mudança substancial acontece na vontade e na atitude da direção ante a inevitável profissionalização. Neste sentido, a expertise do assessoramento jurídico e da escolha de colaboradores a cargos-chave torna-se fundamental, haja vista que a cultura organizacional passará por severa e substancial mudança.

Neste cenário, o Departamento Jurídico deve exercer um papel primordial na orientação da startup em transição, até porque, ele próprio também está nesta fronteira. A sua gestão deve esquecer o trabalho operacional e reativo e prender-se no planejamento estratégico da startup rumo à digitalização e escala, estando alinhado ao negócio de forma a tratar, apenas questões de alto valor agregado, de um modo preventivo, proativo, com visão de resultados e otimizando em termos de custo versus benefício para a startup.

Portanto, é imprescindível que a startup esteja assessorada por um corpo jurídico antenado para proporcionar-lhe a segurança legal necessária para o entabulamento de todas as atividades do seu cotidiano, desde a formalização de um simples contrato de prestação de serviços até a assessoria na realização de uma reforma societária, derivada de uma fusão, aquisição ou cisão empresarial.

Eu já trabalhei como Advogada e como Coordenadora Jurídica de pequenos e de um dos maiores players de varejo do mundo. Importante enfatizar que atuei em empresas familiares, multinacionais e startups.

Nesta toada, pouco a pouco, experienciei o nada e o tudo em procedimentos e planejamento. Ocorreu também a reformulação do operacional para o estratégico. Sempre observando o business.

Após todas estas informações, surge um questionamento: Como o seu Departamento Jurídico contribuiu para tal reorganização? A resposta é precisa: Ele foi fundamental no planejamento legal e no assessoramento, passo a passo, de todas as ações tomadas, ofertando a segurança necessária para que a empresa pudesse ousar com a devida guarida e administração de suas contingências.

Cabe ao seu gestor também inovar, ou seja, sair de um modelo de administração superado, com ênfase apenas na discussão de litígios judiciais, para um formato moderno, preventivo, antevendo as contingências e propondo soluções, com foco no negócio, na agregação de valor e nos resultados operacionais.

Hoje o Departamento Jurídico tem gestão focada na prevenção de contingências e é voltado para o core business, agindo com rapidez, eficiência, segurança e assumindo riscos, ao invés de concentrar-se em demandas judiciais, tarefa esta conduzida por escritórios de advocacia terceirizados, contratados por meio de competências, como meta de otimização dos processos de trabalho e redução de custos.

O grande desafio é sair dos problemas diários e prospectar, simular e preparar ações futuras, minimizando os riscos e ampliando os horizontes para o sucesso duradouro, libertando a administração e seus colaboradores de improvisações e erros desnecessários.

Seguindo a lição das quatros fases do PDCA:

  1. Plan: Planejar
  2. Do: Executar
  3. Check: Verificar
  4. Act: Atuação corretiva

Em resumo, a abordagem por processos pode ser adotada para simplificar a gestão, não precisa inventar a roda, use os instrumentos que são da administração e não são ensinados nas faculdades de direito.

Na maioria das startups cuja gestão não foi adequadamente profissionalizada, o seu Departamento Jurídico pauta-se num modelo reativo, olhando apenas em tocar processos judiciais e formular pareceres burocráticos, sendo que, não age e atua em investimentos em projetos ousados. Nela, o gestor dificilmente assume riscos. Estes, por óbvio, são de competência do dono!

A gestão jurídica moderna deve se focar na maximização de resultados, na redução de custos e na gestão preventiva, atuando de modo a otimizar os processos de trabalho aliado a um sistema de métricas de acompanhamento. Evidencia a importância de terceirizar, para advocacias especializadas, o contencioso judicial/administrativo, com o fito de fazer com que o Jurídico se concentre apenas nas questões de maior valor agregado ao negócio.

A adoção de uma postura proativa e gestão de riscos, poderá mitigar as contingências. Aliado à excelência técnica, o administrador deve ser um líder no trato com seu time de colaboradores e no trânsito com seus clientes internos, possuir visão sistêmica do negócio, capacidade de inovação e, sobretudo, visão de futuro.

A condução de boas práticas, como a transparência empresarial, o uso do compliance para a prevenção e o alcance de resultados operacionais satisfatórios darão um novo status ao Departamento Jurídico, e este, sem dúvida, será visto pela alta administração profissional como imprescindível ao negócio.

Em 2020 temos muito mais a compartilhar e multiplicar, acompanhe meus artigos e saia na frente, faça acontecer na vida e nos negócios, pois somos indissociáveis, respeite a sua caminhada e produza mais e melhor, trazendo resultados para a startup, para a sociedade e para você!

Foto: Alexsandra Manchini

Empreendedorismo Rosa
Andressa Ramos dos Santos
Andressa Ramos dos Santos Seguir

Advogada com MBA em Direito dos Contratos. Especialista em Direito Imobiliário e Processo Civil. Mentora na empresa Empreendedorismo Rosa. Avaliadora técnica da ONU, Prêmio WEPs/Brasil 2019.

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